domingo, 17 de janeiro de 2021

JULIA JACKLIN - Crushing (2019)


Começo o ano com o segundo álbum da australiana Julia Jacklin, nascida e criada entre as montanhas e a cidade grande, produtora de óleos essenciais a certa altura da vida e residente no (meu) Panteão das Vozes Doces, ao lado de ilustres como a Aldous Harding e a Angel Olsen. De facto, "Crushing" lembra-me várias vezes estas cantoras, o timbre rouco a atacar com a mesma mestria canções despidas (Convention), tensas (Body), urgentes (Pressure to Party) ou melancólicas (When the family flies in). Como também me lembra os Mazzy Star de Hope Sandoval (outra para o Panteão) na excelente "Turn me down", não pela semelhança vocal mas pela interpretação, capaz de arrepiar todos os pêlos do corpo - literalmente todos - ao minuto 4.25. 

Mas este disco é muito, muito mais do que uma reciclagem ou uma cópia; é um perfeito pedaço de emoções, interpretado de forma exímia e sincera por alguém que domina os tempos do coração e o ritmo das palavras, e que merece ser reconhecido como uma das melhores coleções de canções dos últimos anos. 

No que me toca, sei que nunca me esquecerei da primeira vez que o ouvi: foi numa noite quente de setembro, quando me chamaram ao terraço para dançar ao som da "Don't know how to keep loving you", a lua no alto e as mãos no meu pescoço. "Gostas?" Foi amor à primeira vista. Outra vez.


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